( 9.9.16 ) - bienal do livro

Como foi a Bienal do Livro 2016

A 24ªBienal do Livro 2016 aconteceu entre os dias 26 de agosto a 4 de setembro no pavilhão de exposições do Anhembi e este ano, estava repleta de atrações. Confira agora minha análise geral sobre o evento:

1-      Estrutura

Acho que o primeiro ponto a se notar sobre o evento é a estrutura. Ficou muito claro o quão grande a bienal se tornou e o quanto investiram nesse ano. Geralmente, nos anos anteriores, um ambiente melhor elaborado se restringia mais às editoras maiores, mas dessa vez, até algumas editoras menores estavam com uma produção bem legal. Era visível desde a entrada que, diferente do que muitos falaram, o foco era sim os livros – e estavam lá adereços, estampados para todos verem e brincarem – como por exemplo o trono de ferro e a estação 9 ¾ . Claro, não é nenhuma Comic Con Experience, mas achei que conseguiram equilibrar bem o lance de ter entretenimento com a “feira de livros”.
Legal é o modo como foi organizado: você se sente em uma espécie de jogo, onde a aventura é explorar aquele imenso local. Ir na bienal é dar uma de Dora Aventureira e sair por aí olhando livros e estandes, e claro, pegando muitos marcadores de páginas.

2-      Livros e preço
Isso é muito óbvio né, uma feira de livros tem que ter livros. Mas o que me surpreendeu foi a variedade: tinha desde cordel a livros de medicina.  Com certeza os livros de youtubers eram destaque, porém, quem quisesse pesquisar mais, facilmente encontrava uma boa variedade de opções. Sério, eu não tô exagerando, tinha de tudo! Até livro de sexo (aliás, principalmente de sexo).
ENTRETANTO, e olha que esse entretanto é com letras maiúsculas e garrafais, os preços estavam um tanto quanto inflacionados. A crise veio, bateu forte e continua batendo até não poder mais. O mercado editorial tá sofrendo viu, ou talvez seja só mercenarismo. Não sei, mas isso torna a coisa contraditória, pois, enquanto feira de livros, acaba-se minimizando o aspecto de feira. Você tem lá trocentas opções e descobertas novas, mas o preço, comparado com a internet, é nitidamente abusivo. Vale a pena se você não tem problema em gastar, mas do contrário, serve apenas como vitrine mesmo.
Ah claro, vez ou outra encontrávamos um point com “todos os livros por 10 reais”, mas pareciam mais como sebos e não eram livros tão interessantes. Você tinha que garimpar BASTANTE para achar algo em conta.
Nesse sentido, acabou sendo um ponto favorável para os autores independentes e nacionais, que conseguiram obter destaque.

3- Autores nacionais
Essa é a Ana Beatriz Brandão
Talvez pelo fato de eu ter ido com uma amiga que é parça de meio mundo do mercado editorial, foi interessante ter contato com autores independentes. Lógico, sou tímido, então não saí conversando com meio mundo, porém, essa bienal foi importante para os novos escritores. Nunca tinha visto isso – realmente fico muito feliz, pois me lembro quando esse movimento começou, lá em meados dos anos 2000 e como era de nicho. Agora, de repente, uma editora como a Arwen tem um estande próprio e bastante visitado, com autores de destaque, como Camila Pelegrini, Ananda Veloso e Camila Deus Dará – sem contar no simpaticíssimo Eder Transkini com a sua série de livros, Stânix. Em contraparte ao movimente do mainstreim, aqui o preço tava bem legal, não só na Arwen como nas editoras ao lado, seja de livros ou HQ’s (as vezes os dois), como a Balão Editorial. Se me perguntassem há alguns anos, jamais afirmaria que um movimento de literatura fantástica se formaria no Brasil – sim galera, ele existe! E está cada vez mais forte.
Nem preciso falar da divosa Ana Beatriz Brandão, que infelizmente não pude ver (fui no último final de semana), mas sei que arrasou no lançamento do seu terceiro livro: O Garoto do Cachecol Vermelho.
Então, se de um lado tinha crianças e adolescentes berrando para ver a Kéfera, do outro tinha um movimento, talvez um pouco tímido, mas significativo, envolta da produção nacional.
Não sei o que dizer, apenas sorrir. VAI BRASIL!

4- Muitas atrações
Ficou nítido que o foco da bienal nesse ano foram os youtubers. Isso é bom, isso é ruim? Não sei, difícil falar sobre. “ah como assim não sei, Maeister seu boboca, livros de youtubers são horríveis”, bom, primeiro é difícil dizer o que é bom ou ruim de forma tão generalizada, mas podemos afirmar com toda certeza: são livros de youtubers pagam as contas. Como fui no final do evento, não pude encontrar nenhum “famoso” da internet, mas era nítido a diferença apenas no público que passava: diversas crianças com livros como o do Rezende Evil. Entretanto, de acordo com as minhas fontes, a maioria das palestras foi bem... Vazia. Eu já esperava, mas enfim, era aquela coisa, um bate-papo descompromissado cheio de “desafios” maneiros de interação entre o autor e o público.
Tirando essa pegada mais de ‘entretenimento’, tivemos muitas opções, principalmente palestras, seja com filósofos ou autores internacionais (olha só...). A sessão de autógrafos então, foi uma das mais diversificadas (chegando a ser bizarro, Valesca Popozuda e Larissa Manoela. WTF?), com um sistema prático de atendimento. Quem quisesse ser atendido com antecedência, podia tirar a senha no site ou, como qualquer ser humano com muita paciência, esperar na fila. Vez ou outra percebi que o tema se distanciou, mas a coisa girou envolta dos livros, seja superficial ou profundamente.
Interessante essa tática de dar entretenimento para o público em geral e ainda atender as necessidades dos bookaholics e o pessoal do meio editorial. Realmente, se torna um evento para todos as idades.

Conclusão
O saldo final da Bienal do Livro 2016 é positivo, ainda que haja alguns problemas aqui e ali. Se você estivesse com fome, iria se deparar com uma praça de alimentação sem muitas opções e cara, coisa que, assim como os livros, não valia a pena comprar. Entretanto, tirando esse problema da inflação, a estrutura ao todo era ótima, atendendo todas as necessidades (pelo menos as minhas, ainda que faltasse mais instalações para o pessoal sentar, ficar confortável e talvez, até ler ali mesmo).
Vale a pena o ingresso por 25 reais? Dentro do limite, acredito que ainda vale. Por fim, para quem gosta de interagir e de conhecer coisas novas, foi ótimo. Que a bienal cresça cada vez mais, mas que continue atendendo o público em geral, com foco nos fãs de livros. A maior crítica mesmo fica para os preços. Anyway, eu fico por aqui e espero que tenha gostado do post.
Mas antes de ir embora, me diz aí - o que achou da bienal?

El Psy Congroo.

*Maeister é redator e dono do site Divisão Paralela, sobre análises a respeito da cultura pop nerd e underground. Para mais informações, acesse: divisaoparalela.com.br ou curta a página no facebook: divisãoparalela

6 comentários:

  1. Eu morro de vontade de ir, acho que é uma oportunidade maravilhosa. Esses probleminhas acho que acontecem em todos os lugares né, principalmente o preço dos alimentos ehehehe
    Beijos
    BlogCarolNM
    FanPage

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  2. Sou loca pra ir um dia.

    http://www.blogsecretplace.com/

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  3. Sou louca para ir em uma bienal, adorei suas dicas e o post.Sei que quando for vou voltar com um mundo de livros.

    Beijos
    https://pimentasdeacucar.blogspot.com.br

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  4. Adorei o post. Nunca fui na Bienal (moro em outro estado) mas um dia pretendo ir, parece ser demais. Aqui tem a Feira do Livro que é bem legal mas nem se compara com uma Bienal, hahah
    Beijo!

    Sorriso Espontâneo

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  5. Está sempre lotado a comida é cara, mas amo ir!


    Beijos!

    EsmaltadasdaPatyDomingues

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  6. Meu sonho é visitar a Bienal, sentir toda energia de um ambiente em que sei que poderei conhecer e encontrar pessoas maravilhosas que nutrem a mesma paixão que tenho pelo universo literário. Acho que mesmo com os livros estando a preços não tão atrativos, é uma oportunidade tão grande de entrar em contato com as obras pessoalmente. É um sonho sair de lá com a sacola cheinha de livros!
    Enfim, beijos!

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